Por que se chama d'arce (e por que no Brasil se chama brabo)

Dois nomes, dois continentes, a mesma família de estrangulamentos. E pelo menos quatro pessoas reivindicando um pedaço — sem que nenhuma delas esteja de todo errada.

BJJ Square · Atualizada em 11/08/2026

Joe D'Arce foi um competidor americano de grappling em meados dos anos 2000, da Renzo Gracie Academy, em Nova York. Ele não inventou a chave: usou tanto em competição que o meio acabou associando aquilo a ele. Segundo o relato mais difundido, o nome veio de um terceiro — o treinador Marc Laimon, que via aquilo funcionar toda hora e passou a chamar assim.

Quem reivindica a autoria

John Danaher diz publicamente e sem meio-termo: “*Eu lembro da noite em que inventei o estrangulamento reverse kata gatame — depois batizado com o nome de um aluno meu, Joe D'Arce*”. É uma afirmação direta de quem estava envolvido, e deve ser tratada como tal: documentada como declaração, não como fato histórico verificado.

Uma reivindicação diferente vem da Europa. Björn Dag Lagerström, norueguês, diz ter desenvolvido a mesma chave na Alemanha e usado em competição em 1996 — e se manifestou pessoalmente para pedir que a versão dele ficasse registrada.

No Brasil, por fim, a linhagem da luta livre é creditada por ter espalhado a técnica, em particular através de Milton Vieira: por ter espalhado, atenção, não por ter inventado.

Nota Nesse ponto as fontes se contradizem até sozinhas: o mesmo relato diz “desenvolvida no fim dos anos noventa” e “usada pela primeira vez em 1996”, e o sobrenome do reivindicante europeu circula grafado errado em pelo menos duas variantes. Com o que é público hoje, a questão não se resolve.

O brabo é outra coisa

Leonardo “Leo” Vieira desenvolveu a versão de kimono — a que usa a lapela — depois de ver um faixa-branca cair nela no instinto. Levou para a competição a partir de 2000, com o auge em 2004.

O nome veio de um endereço de e-mail. O que Vieira usava na época começava com leobrabo, e um amigo próximo, Kit Pelligro, brincou com isso. E brabo já diz o que a chave faz: o nome funciona duas vezes, como apelido e como descrição.

Nota O brabo de kimono (que usa a lapela) e o d'arce no-gi são dois estrangulamentos diferentes da mesma família. O costume brasileiro de chamar os dois de “brabo” é o motivo de a confusão estar em todo lugar hoje.

O que não sabemos

  • Quem falou “d'arce” primeiro. Laimon é a versão mais citada, mas não existe fonte que ateste isso.
  • De onde vem a pronúncia. Falam “darce” em vez do correto “d-ar-si”, e a deformação é atribuída a Jason Miller. Não está provado.
  • Se o causo do e-mail é verdadeiro. Tem uma fonte só, e nenhuma confirmação direta nem de Pelligro nem de Vieira.

Por que nenhuma versão anula as outras

Essa é a história que melhor explica como funcionam os nomes no jiu-jitsu. Quem faz uma técnica primeiro, quem refina, quem torna famosa e quem dá o nome são muitas vezes quatro pessoas diferentes, em continentes diferentes, com anos de distância — e nenhuma das quatro está mentindo. Uma chave tão simples, num mundo tão grande, é descoberta mais de uma vez.

As outras palavras que você vai ouvir na academia, explicadas uma a uma: Glossário do BJJ.

Perguntas frequentes

Quem foi Joe D'Arce?
Um competidor americano de grappling da Renzo Gracie Academy, em Nova York, ativo em meados dos anos 2000. Não inventou a chave: usou tanto em competição que ela acabou levando o nome dele.
Qual é a diferença entre o d'arce e o brabo?
São dois estrangulamentos parentes, mas distintos: o brabo usa a lapela do kimono, o d'arce é feito sem. No Brasil se usa “brabo” para os dois, e é daí que vem a confusão.
Quem inventou o estrangulamento d'arce?
Não existe uma resposta única. John Danaher reivindica a invenção, o norueguês Björn Dag Lagerström diz ter usado em competição em 1996, e a luta livre brasileira reivindica ter espalhado a técnica.
Por que o brabo se chama assim?
Do endereço de e-mail de Leo Vieira, que começava com “leobrabo”. E como brabo também descreve bem a chave, o nome pegou duas vezes.

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